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SINFONIA DE PARDAIS

Quem diria que de um certo dia em diante, esta sublime cantoria se transformaria em despertador de cada um de meus amanheceres. Melodia forte, completa, trazendo em suas modulações, os graves e agudos de um sem número de outros componentes, formando o mais belo coral da natureza se exibindo, penso eu, na soberba de minha vaidade, só para mim. E enquanto, ouço, penso na vida rica de emoções que tenho vivido, onde o ostracismo jamais encontrou morada e o banal, não se atreveu a visitar. Pensando, lembro dos muitos medos, das muitas angustias e das muitas perdas, mas enquanto, lembro das muitas lágrimas que meu rosto serviu de regado, também lembro de cada um dos sorrisos e das infinitas largas gargalhadas que as fizeram secar.
Penso então, que feliz sou eu, que posso ouvir os sons da natureza, despertando-me a cada amanhecer e com eles aprendendo e ensinando que a vida é bonita e é bonita, parodiando tantos outros que encontraram, assim como eu, no simples, o belo de suas inspirações.
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RECOMEÇAR

Depois de um feriadão de muitas festas e alegrias, cá estamos nós, iniciando uma nova jornada de trabalhos diários, cada qual no seu devido ofício, não sem estarmos um tantinho lentos, pois como seres absolutamente adaptáveis, logo nos acostumamos à quase inércia de não termos horários determinados a quase nada. Pois é, mas conversa fiada de nada adianta, o melhor mesmo é sacudir a preguiça e partir para a rotina semanal, que no meu caso em particular, começou bem mais cedo, afinal, retomar as minhas escritas pela madrugada, faz parte. E retomo avaliando a manifestação que estava programada para ser feita em frente ao Hospital Geral de Itaparica no domingo, às 10 horas da manhã; em busca de melhores e mais humanos serviços e que, efetivamente, aconteceu com um número bem modesto de participantes, o que vem mais uma vez reafirmar o quanto, o povo da Ilha, ainda precisa desenvolver o senso de pertencimento, sentimento básico social que garante direitos e deveres. Esta minha constatação, qu…

“PENSANDO NA VIDA”

O sol lá vai baixando no horizonte e mais um dia que começou com chuva, agora se vai deixando a lembrança de um sol ameno de primavera, talvez, para nos mostrar que nada é estático, inerte na vida e só, por esta razão, não podemos cruzar os braços, abaixar a cabeça e nos conformarmos com o aparente inevitável. E aí, como não fazer analogia com as nossas vidinhas no cotidiano que se alternam num sobe e desce de emoções vibrantes, muitas vezes, testando a nossa resistência, determinação e coragem ao seu enfrentamento diário. Há quem pense que a saída não existe, que o breu da dor os domina e que o insensato, tomou o poder absoluto de suas emoções e sentimentos, virando sua vida de ponta à cabeça e que, nada mais de esperança lhe resta. Ledo engano, pois, quando o fundo do poço se torna visível, sinal que a esperança se faz presente, abrindo um enorme espaço, talvez, de queda livre, para testar a força das asas invisíveis que nos sustentam. Enquanto pudermos sorver o bendito ar que sequer en…

FITA – I FESTIVAL DE ITAPARICA MÚSICA E POESIA

Nos dias 27, 28 e 29 de outubro o município de Itaparica receberá a 1ª edição do Festival de Música e Poesia FITA – I FESTIVAL DE ITAPARICA, que contará com a participação de artistas locais, estaduais e nacionais. Serão três dias de programação musical e poética, com apresentações na praça Jardim dos Namorados. Dentre os nomes para compor a grade musical do projeto, destacamos: BaianaSystem, Zeca Baleiro, Mariene de Castro e Lazzo Matumbi. A poesia vem representada por Lirinha, Karina Rabinovitz, Jackson Costa, Bule Bule, e etc. Paralela à programação artística, uma feira gastronômica, que oferecerá ao público a oportunidade de experimentar a culinária local. O acesso a toda a programação será gratuito. O FITA é uma realização da Prefeitura Municipal de Itaparica.

CRIME E CASTIGO

Como de costume, assisti a grande parte da Sessão Plenária do STF, na tratativa das questões das Medidas Cautelares, que diretamente afetam a situação do Senador Aécio Neves e como não poderia deixar de ser, pela minha própria natureza, fui fazendo correlações com o povo e suas posturas ao longo destes anos de incessante “Crime e Castigo”. Entre um e outro ministro, lá estávamos nós, eu e meu marido, sentados no conforto da poltrona, sentindo-nos jurados quanto às avaliações, crendo ingenuamente, mas empolgados, estarmos diante de um julgamento isento de maiores interesses, se não da verdade, do bem público e do respeito à Constituição Nacional. Depois do caso passado, sem a influência das simpatias pessoais em relação a este ou aquele ministro e, tão pouco, iludida de que sou capaz de uma avaliação, seja ela qual for, até porque, eu ou qualquer outro, desconhecemos os reais fatos, nada além daqueles que nos são repetidamente informados por uma mídia absolutamente tendenciosa. Concluí, …

OPÇÃO...

Na medida em que vamos envelhecendo, vamos também neste processo nos tornando mais sensíveis às coisas do mundo, com certeza, porque os sentidos já infinitamente abastecidos de mazelas assimiladas ao longo da caminhada, pede socorro de formas diferenciadas. E aí, dizemos: -Nossa!!! Fulano depois de velho, está isto ou aquilo. Na realidade, contabilizamos as nossas emoções, construídas uma a uma durante nossas vidas e a depender de nossas naturezas, reforçadas ou remodeladas pelos nossos históricos existenciais, tornamo-nos mais ou menos isto ou aquilo, mas indiscutivelmente, não se pode negar que os resultados são oriundos dos sentidos cansados pelo ofício ininterrupto de filtragem, afim de amenizarem os efeitos processuais da mente e, então, se rebelam em aflitos apelos por compreensão e paciência. No meu caso em particular, percebo que como comunicadora e estudiosa das emoções humanas, já não estou aguentando tanto horror produzido por um sistema humano, que vem exacerbando em seu desi…

PAPO SOLIDÃO

Estou aqui quietinha, neste final de tarde, pensando na vida que já vivi, na que vivo e conjecturando na que ainda posso viver. E aí, surpreendo-me com o tanto que foi expurgado de minha vida, nem sempre por mérito meu, mas com certeza com total concordância, afinal, jamais briguei com as circunstâncias que me atingiram, preferindo encará-las bem de frente, não como desafio, apenas com a dignidade de quem se determinou a jamais se sentir derrotada, tão somente, ferida. E aí, entre uma lembrança e outra, boas e desagradáveis, eis que uma em especial surge em minha mente, sempre bela e vitoriosa, fazendo-me sorrir como uma criança, mas ao mesmo tempo de forma ousada, transformando-me em poeta. Ah! Que saudades de minha Guapimirim Saudades do tumulto dos infinitos sons do silêncio Que como uma orquestra bendita, fez-me conhecer a paz. Sentada à beira do riacho, tocando as aguas frias e translúcidas Sorvendo aromas, pensando em nada, possuindo tudo. Meu pequeno riacho, minha fonte de vida.